terça-feira, 28 de setembro de 2010

Canhão da Nazaré (2)

Já nos referimos aqui sobre o Canhão da Nazaré.
A publicação desta imagem no Portugalliae:
e a inspecção mais atenta da batimetria disponível no Google Maps, permite no entanto concluir sobre a raridade de formações como o Canhão da Nazaré (ou outras próximas da Serra da Arrábida, ou do Cabo de Sagres). Pode eventualmente encontrar-se algo semelhante em grandes rios, como o Congo, o Indu, ou o Ganges, mas em pouco mais sítios.

O mais interessante é que uma formação submarina com aquele aspecto denota uma erosão própria de um rio que corre à superfície, sendo claro que quando os rios atingem o mar, a sua corrente ao espalhar-se no leito oceânico, dilui por completo a erosão que é típica em terreno ao ar livre.
Surge assim a hipótese de tal formação ter origem num poderoso rio (agora desaparecido... o Rio Alcobaça é demasiado modesto para uma tal erosão), que outrora desgastou aquele vale, tal como o Colorado que atravessa desertos em direcção ao Golfo da Califórnia, dando origem a tal Canyon.
Conforme é dito em Portugalliae  poderá ter havido um aumento do nível do mar, muito superior ao que se supõe, devido ao degelo após a glaciação. Nesse caso, e atendendo a que o Canhão da Nazaré corta significativamente o leito submarino, até mais de 1000 metros, podemos estar a falar de tempos, em que o Mediterrâneo pouco mais fosse do que um lago.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Moedas cartaginesas

Na mesma altura em que Alexandre Magno procurava conquistar todo o mundo conhecido, parecem ter-lhe escapado a existência de civilizações a Ocidente, que não fizeram parte do seu espólio registado de conquistas.
Em particular, falamos de Roma e Cartago.
Cartago é interessante, pois há várias referências a assinaláveis viagens de Hanon, nomeadamente a circum-navegação do continente africano, não apenas de historiadores antigos (como Heródoto), mas também de Duarte Pacheco Pereira ou António Galvão, navegadores experimentados, que terão tido oportunidade de ver ainda alguns vestígios mais esclarecedores, que suportassem as suas referências.
Podemos ver a importância que os cartagineses davam às suas navegações, por exemplo através de moedas:
1/8 de Shekel, cartaginês, c.

Numa dessas moedas, corre uma teoria de estar representado um possível mapa do mundo:

Uma interpretação da parte inferior da moeda, levou Mark McMenamin a sustentar tratar-se de um mapa mundo segundo os cartagineses... conforme se pode ler aqui ou aqui. A qualidade da parte inferior da moeda (seja para que efeito for), e a associação a continentes ou mares, vale o que vale, dentro do "vale tudo", e faria parecer os mapas portugueses autênticas cartografias milimétricas do mundo...
Faz melhor serviço às navegações cartagineses, todas as restantes provas documentais, do que propriamente associações sobre formas tão vagas.

domingo, 19 de setembro de 2010

Via Láctea

Na concepção actual da Via Láctea, que é muito consistente com o registo de muitas observações, temos o seguinte modelo espiral:
O sistema solar está no braço de Orion, um braço disjunto, rodeado pelos braços de Sagitário e Perseu. É nestes três braços (juntamente com Cruz do Sul) que se encontram a maior parte das estrelas visíveis, que são também normalmente as mais próximas. Por efeito do núcleo da galáxia há uma significativa zona de sombra, onde não são visíveis quaisquer estrelas.

Das estrelas mais conhecidas da antiguidade, as que estão mais próximas são Rigil (Alfa-Centauro), Sirius (Alfa-Canis Majoris), e Procyon (Alfa-Canis Minoris), todas elas estrelas duplas, a distâncias entre 4.36, 8.58 e 11.4 anos-luz.

Outra das estrelas próximas, com especial importância, é Vega (Alfa-Lira), a 25 anos-luz... esta estrela foi o pólo norte por volta de 12 000 a.C., e o mais curioso será o termo "Navega" = "na-Vega", uma etimologia difícil de ignorar em português... já que "na Vega" seria uma expressão natural para marinheiros navegarem de acordo com uma orientação polar! 

Como diria Camões (Lusíadas, Canto X. 88)
Vê de Cassiopeia a fermosura
E do Orionte o gesto turbulento;
Olha o Cisne morrendo que suspira,
A Lebre e os Cães, a Nau e a doce Lira.
Afinal, teria sido a doce Lira essa Vega, definindo o caminho por onde a Nau navega?

sábado, 11 de setembro de 2010

Alucinações físicas

S. Hawking decidiu invadir o domínio religioso, talvez por falta de utilidade dos inúmeros disparates que sempre foi proferindo, a partir da não menos disparatada teoria do Big-Bang... Resta-lhe a utilidade de questionar a utilidade de Deus na ciência, e das Teogonias, aproveitando um mercado literário crente na fama do físico, desconhecedor ora de Física, ora de Teogonias.
Todos os liliputianos têm direito a uma cosmogonia até serem esmagados pelos pés de Gulliver. É sempre interessante quando apesar das inconsistências teóricas, a observação feita do planeta Terra (pequeno no espaço, mas provido destas iluminárias) é suficiente para explicar o Universo... e mais além, certamente!

Como qualquer simples positivista, Hawking tenta usar um ou dois martelos para pregar no deserto de ideias. A ideia da "Criação Espontânea" para o Universo, faz lembrar uma velha ideia medieval para o aparecimento de larvas. Os fundamentos são os mesmos, as ideias também - magister dixit.
Para quê estudar filosofia, se o positivismo de Hawking satisfaz os físicos?
Em termos de crendice, Hawking acaba de se igualar a qualquer religioso... com a diferença de usar equações matemáticas, que não se adaptam ao modelo que sustenta.
Hawking é ainda mais divertido, admite que Deus pode existir, mas que não é necessário para a nossa compreensão do Universo... será de perguntar "afinal, que ideia tem Hawking de Deus"? - Será a de um colega de faculdade, ou falará de Gus O'Donnell (G.O.D), o chefe do funcionalismo público britânico:
G.O.D. : Gus O'Donnell

A matéria negra, que invadiu a mente de Hawking, e que alastrou pelos físicos, está a fazer regressar a Física aos tempos da alquimia. O preocupante é que os meios são maiores, e as experiências inconscientes podem levar a ocorrências um pouco mais graves... Quando se pensa em experiências que levem a "buracos negros", percebe-se que a Física está à solta... procurando recriar competências divinas, em cérebros com competências adequadas aos mais básicos primatas.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Asteróides RX30 e RF12

Os asteróides RX30-2010 e RF12-2010 passaram ontem próximo da Terra, a uma distância inferior à da Lua. A surpresa maior talvez seja o facto de o evento ter sido simultâneo, e noticiado no próprio dia, 8 de Setembro de 2010...
Na imagem o asteróide Eros (Cintura de Asteróides)
Em 2007 foi lançada uma missão da NASA que enviou a sonda DAWN de encontro à Cintura de Asteróides, começando pelo terceiro maior asteróide - Vesta (deusa do fogo sagrado, das vestais), em 2011, e que prosseguirá até ao maior asteróide Ceres (deusa da agricultura, de onde vem a palavra cereal), que também é considerado um planeta anão.

O facto mais interessante sobre estas denominações é a antiga curiosa sequência:
- Urano, Saturno, Júpiter
relacionada com a ordem mitológica da Teogonia greco-romana.
O Úrano primordial foi destituído pelo filho,o titã Saturno/Cronos, ceifando-o da genitália que gerou Vénus/Afrodite.
(G. Vasari - mutilação de Urano por Saturno)

Por sua vez, Saturno foi destituído pelo filho Júpiter/Zeus, e a ordem planetária foi assim respeitada... de forma interessante, pois na possível sequência seguinte não aparece nenhum grande planeta - aparece sim a Cintura de Asteróides, que precede Marte. Ao invés de um corpo singular, uma multitude democrática de pequenos corpos celestiais, segue-se ao imponente e quase-estelar Júpiter. 
Apesar do domínio de Júpiter, que escapou de ser devorado pelo pai Saturno, o culto romano de Saturno é notável. Saturno é tanto de sinistro, quanto associado a um reinado numa era de ouro terrena, pré-idade-do-ferro, onde os homens eram livres, iguais, e felizes. 
As Saturnálias, festas em honra de Saturno, precederam a noção de Carnaval... ao invocar essa Idade de Ouro, verifica-se um ponto comum em diversos mitos referentes a esse Paraíso Perdido.