quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Santo Antão

 Bosch: As tentações de Santo Antão - tríptico central e painéis exteriores.

Hieronimus Bosch é um nome incontornável na pintura quinhentista, e este quadro é junto com os painéis de S. Vicente a maior preciosidade do Museu de Arte Antiga de Lisboa. É ainda interessante comparar com um estudo do painel central, que está no Museu de São Paulo:

Santo Antão ficou conhecido como eremita, mas saiu da sua reclusão para se opôr ao arianismo, doutrina de Arius de Alexandria, que foi banida no Conselho de Nicéia. A pintura sinistra de Bosch tem seguimento com Bruegel que carrega a mesma violência e  mistério simbólico, como no caso da alusão à Torre de Babel

Santo Antão ficou como nome de uma Ilha de Cabo Verde, e em Portugal continua a ter um significado dúplice... por um lado ligado ao santo cristão, mas também ligado a ritos pagãos... onde Antão se liga às Antas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Castro da Cola

A propósito da Cauda do Dragão / Cola do Dragão é digno de nota o Castro da Cola, um sito arqueológico, meio abandonado, próximo de Ourique... de Ourique no Alentejo,

Castro/Castelo de Cola (Ourique, Alentejo)

O sito arqueológico teria sido alvo do interesse de André de Resende, no séc. XVI, e só muito posteriormente, já em meados do séc. XX houve escavações que não foram retomadas pela morte do arqueólogo Abel Viana, que ligava o local a mais uma tradição de tesouro da moura encantada, onde mais uma vez a palavra "mouro" aqui refere-se a tempos pré-romanos.

A palavra Cola surge de novo com um significado incógnito, dúbio, aqui tomado enquanto cauda, apêndice, cólon. É assim interessante associar-lhe uma Nª Srª da Cola da Vila de Ourique, com um Menino ao Colo...

Estas associações fonéticas, fortuitas, acidentais ou não, acabam por levar às coincidências... em 1992, logo após a queda do muro de Berlim, a Coca-Cola decidiu usar Dracola numa sua campanha comercial
Anúncio de 1992 da Coca-Cola (video suprimido)

É claro que 1992 é também o ano da reposição da nova versão de Dracula no cinema... e neste contexto de factos encadeados, os nexos de causalidade podem ser trocados, e serão mais naturais as denominadas "coincidências". Afinal todo o mito moderno do secretismo da fórmula da Coca-Cola serviu também para esconder o secretismo de uma outra Cola, a do Dragão que terá o seu novo ano chinês em 2012...

sábado, 20 de novembro de 2010

Simbologia perdida

Gravado numa rocha, na costa portuguesa...
... e, não longe, mais um prodígio da erosão:
Poderia ter sido no dia 4, mas certamente foi a 3 de Agosto. 
Há dias assim... dias que começam onde nascemos e crescemos, querendo ver o que nunca vimos.
Seguimos sinais e nada... esperamos sempre mais que ser cumprimentados por um bando de borboletas brancas no campo. Afinal ligámos o conta-quilómetros, e percorremos exactamente a distância escrita na rua. Subimos a colina, e é claro, nenhum gólgota, apenas vemos um belo vale cavado na direcção de nossa casa. A mesma que há mais de vinte anos teria ficado acima do mar, pois acima do dilúvio fica sempre a nossa casa... aí cumpriu-se o sonho - no dia seguinte, acima do acidente mortal, ficou a vida.
Na mesma tarde do dia 3, um bando de gaivotas decide indicar o caminho. Olhamos, vemos as rochas na praia, vemos a gravação naquela rocha singular, compreendemos quase tudo... ou nada. E quando regresso à ausência de solidão, sou presenteado pela inocência infantil... mas são apenas duas pirâmides de areia separadas por um canal, uma construção banal, própria de crianças.
O Sol está quase a pôr-se no horizonte, olhamos na direcção oposta e sabemos que estamos a ser observados... até exactamente de onde. Subimos a colina, afinal há uma estrada que sempre fizémos, e que sempre levou àquela muralha mourisca, a que nunca fomos... É claro, decido ir sózinho. Um pequeno pássaro esvoaça assim que chego... excelente, tudo normal. 
A muralha tem inscrustados símbolos que parecem de uma época medieval. Olhamos a casa ao lado, de onde nos observam, e não vemos ninguém... como é óbvio! É tempo de regressar à normalidade.
No entanto, como há dias assim, um pombo decide nesse momento pousar na muralha, no mesmo sítio de onde o outro pássaro esvoaçara. Nada de especial... é tempo de regressar, e quando saio da muralha há um indivíduo que faz jogging, só escusaria de trazer uma t-shirt do BES, pensei - já tinha bastado sinalizar as borboletas, as gaivotas e o pombo branco.
Fui então juntar-me aos demais para um café, olhando o Sol que se preparava para mergulhar no oceano... 
Seguiram-se uns dias especialmente agradáveis de praia, e a alta temperatura à noite teria levado muita gente a banhos nocturnos, noticiou-se. Nesse fim-de-semana houve festas brancas na praia, e por momentos pareceu que o mundo estava feliz, apesar dos incêndios. Estive sempre calmamente apreensivo, mas não sei se a decisão posterior mais difícil foi a de ficar a meio da escalada, ou a de apagar o cigarro na mão.
- Por que é que apagaste o cigarro na mão?... - pergunta ouvida, sim - mas que sentido faz outrém questionar um acto único e recolhido?

Houve tempos assim, há três meses...
Só muito depois, a 11 de Setembro, regressei para tirar as fotografias que aqui coloquei... porquê? 
- Porque não faço questão de lembrar, mas também não faço questão de esquecer! Bastou perceber, 25 anos depois, o que faltava perceber - Enigma será mesmo uma máquina!
- Fica ainda o outro som que inundava o Verão

sábado, 13 de novembro de 2010

Os Suevos e os arianismos

Para a confusão conveniente há dois significados para Arianismo.
Em 467 o Rei Suevo Remismundo converteu-se ao arianismo, e não falamos do que hoje em dia é associado ao arianismo nazi... conotado com racismo, falamos de uma filosofia cristã. 
No Conselho de Nicéia (325 d.C) foi definitivamente encerrada a questão da dualidade cristã sobre a duplicidade Pai e Filho, em Deus e Jesus Cristo. A doutrina "ariana" - que foi assim chamada por ser proponente Arius de Alexandria, preconizava uma diferença entre o Filho-Cristo e o Pai-Deus.

O reino Suevo foi talvez o único a adoptar essa diferença cristã, e após 469 d.C, com o seu filho, o rei Veremundo (... "mundo verdadeiro"?), os Suevos entraram no chamado Período Obscuro.  
Durante quase 100 anos não existem registos... até ao regresso do reino à filosofia cristã de Roma, com Carriarico. O último rei suevo na filosofia arianista foi Teodemundo (... "deus do mundo"?), que morreu em 550 d.C. É também nesta altura conturbada que surgem os mitos de Artur, Merlim e Lancelote, na Britânia.

Assim, é curioso o aparecimento de um arianismo suevo, que se confunde com as designações nazis da NeuSchwabenLand e de um outro arianismo racista que nos foi transmitido no séc. XX, enquanto filosofia racista. Por questões polémicas do obscurantismo actual, que induziu reacções pavlovianas sobre a discussão destes assuntos, ficarei por aqui...

O aspecto mais fascinante apresentado no recente post do blog Portugalliae, Mare Suevorum, é a particularidade dos crânios de guerreiros, com deformações que lembram as tradições Maias, ou Aztecas, e que seriam dos suevos ou dos vizinhos alanos.
..
Crânio de guerreiro suevo/alano (à esq.), crânio de elemento da alta sociedade maia (à dir.).

Esta deformação crâniana, tem ainda ponto comum anterior com as representações de Akhenaton, Nefertiti, ou os seus filhos (conforme também já salientou Maria da Fonte). Foi esta geração de faraós que procurou introduzir o culto monoteísta, e que foi rapidamente substituída na dinastia Egípcia.
Um ponto comum em 3 partes distintas e aparentemente desconexas - México, Hispânia, Egípcio... a conexão agora submersa, foi uma conexão emersa durante o tempo de navegações esquecidas.

A parte misteriosa não é apenas sueva, já que os alanos constituiram igualmente um reino independente em Portugal, sendo Alenquer uma das suas principais cidades - Alan Kher : Castelo dos Alanos.
Dir-se-ia ainda que a própria designação de Alancastro, que era usada em Portugal para designar os descendentes de Phillipa de Lancaster, teria um propósito que ia para além do trivial, talvez procurando espelhar Alan-Castro : Castelo de Alanos. Aliás Alenquer era uma das vilas das rainhas, a que Phillipa deu particular atenção.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Neu-SchwabenLand

Entre 1938 e 1939 a Alemanha nazi decide lançar-se num grande projecto científico de exploração da Antártida, no sentido de reclamar um território significativo. Chamou-lhe:
Neu-Schwabenland, ou seja "Terra Nova dos Suevos".
De entre tantos nomes, decidiram escolher uma pequena província do sul, Schwaben - Suévia, afinal ligada à origem dos suevos que se instalaram no Norte de Portugal / Galiza. À moda do norte, e se o acórdão ortográfico fosse mais longe, deveria escrever-se mesmo Suébia (mas não exageramos a ponto de relacionar com Suécia).


Para quem quiser a parte oficial da expedição, fica o link da wikipedia : New Swabia.
... para quem quiser conhecer as teorias mais conspirativas, sobre possíveis avanços da tecnologia nazi e a possível construção de Ovnis... pode seguir por aqui.