domingo, 25 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (47)

De um filme apropriado a uma época, "Merry Christmas, Mr Lawrence" (1983), tendo David Bowie como actor, surgiu uma bela composição de Ryuichi Sakamoto (também aí actor), a que David Sylvian (vocalista dos Japan) deu uma letra que serviu contextos ambíguos, tão próprios da época que se seguiria.
Forbidden Colours - Ryuichi Sakamoto & David Sylvian

Porém, da discografia dos Japan, e em particular do álbum Oil on Canvas, que ouvi incessantemente, fica sempre este inesquecível - Methods of Dance, especialmente adequado a uma dança em que as coreografias estão completamente desfasadas...

Methods of Dance - Japan (1983)

Here's a new design
The cut and style you know so well, spins across the floor
It's the same routine
One last word before you go. Why should I ask for more?
Then out of the blue, you are here by me
(Moving) Taking my chance
(Learning) Methods of dance, Methods of dance
It's such a price to pay
Your sense of doubt inside my mind, oh but never asking why
No second chances now
I could be sure if I were to live, at your speed of life
Then out of the blue, you are here by me
(Moving) Taking my chance
(Learning) Methods of dance, Methods of dance

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (46)

O chamado ambiente de "gravidade zero" tem estado cada vez mais disponível, com algumas companhias privadas de aviação a fazerem vôos parabólicos, onde contrariam a força de gravidade, permitindo o mesmo tipo de experiência que a NASA usa para treino de astronautas.
Neste vídeo, vemos uma banda musical, pouco conhecida, que decidiu fazer umas brincadeiras num desses vôos, que durante alguns segundos, subindo e descendo a pique, em trajectória parabólica, permitem simular a ausência da gravidade. O resultado não é tão bom quanto o "profissional", mas é suficientemente esclarecedor.
Ok Go - Upside Down & Inside Out (2016)
- ver ainda a produção do vídeo (onde inside-out se ajusta ao chamado "vôo vómito")

Falar em "gravidade zero" é um erro de linguagem.
A gravidade da Terra nunca deixa de estar presente... simplesmente em vôos orbitais, a velocidade é de tal forma elevada que o efeito dessa atracção terrestre é compensado. O processo não é assim o mesmo do que aquele que é experimentado nestes aviões de descida, mas os resultados são idênticos.

Os vôos orbitais em torno da Terra, dentro da segurança da cintura de Van Allen, têm velocidades muito elevadas. Por exemplo, a Estação Espacial Internacional é suposta fazer uma volta à Terra em hora e meia, estando 45 minutos em dia, e 45 minutos em noite.
Para velocidades mais pequenas, a órbita teria que ser mais elevada, podendo ser geoestacionária a uma altitude suficientemente elevada (aí o dia teria 24 horas e não apenas 1h30).

O problema é a radiação solar, e por isso a Estação Espacial (ISS), ou outras imagens que se vejam de astronautas, têm que estar dentro do espaço de segurança dado pela Cintura de Van Allen, o que implica - vôos orbitais muito baixos. Ou seja, um astronauta não tem uma imagem da Terra à distância, conforme é habitual passar-se essa ideia... tem uma imagem que não é substancialmente diferente da que vemos quando voamos em grande altitude num avião. É claro que é ainda melhor que os pilotos de caças em vôos suborbitais, mas não é muito diferente.
Para ter uma imagem à distância, teria que estar muito fora da Cintura de Van Allen, o que implicaria estar numa nave espacial sujeita à radiação letal emitida pelo Sol, nomeadamente todo o tipo de Raios X.


Imagens de satélites geostacionários:


domingo, 11 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (45)

Talvez uma das melhores "bocas" dos últimos tempos, foi a resposta da equipa de Trump às recentes acusações da CIA de que "a Rússia teria interferido na eleição", ao lembrar que (a CIA) se trata da mesma malta que também dissera que o Iraque tinha armas de destruição massiva:

“These are the same people that said Saddam Hussein had weapons of mass destruction,” 
said a statement from his transition team. (The Independent, 10 de Dezembro 2016)

Um sinal de que não parece fácil a transição dos "segredos de estado" para a nova administração Trump, ou de que algum pessoal do Tea Party pode ter umas contas politicamente incorrectas a ajustar, nomeadamente Ron Paul, que sempre foi contra a intervenção no Iraque e o Patriot Act.

Weapons of mass distortion (The Crystal Method, 2004)

Cheap thrills (Sia featuring Sean Paul, 2016)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Byrd - voando sobre niños polares

Richard Byrd numa
entrevista "Longines"
O almirante Richard E. Byrd será o mais consagrado explorador norte-americano, pelas suas viagens de avião sobre o Pólo Norte em 1926 e sobre o Pólo Sul em 1929. Pelo meio ainda participou na competição de cruzar o Atlântico, em 1927, onde foi suplantado por Charles Lindbergh (realizando o mesmo feito, praticamente um mês mais tarde).

Byrd fará parte de expedições americanas à Antárctida, a primeira (1928-30), onde chegaria ao Pólo Sul de avião, outra em 1934, e ainda em 1939-40, numa altura em que os alemães nazis tinham acabado de reclamar o território que denominaram "Neuschwabenland" - Nova Terra dos Suevos.  

Porém a expedição mais importante será a que ocorre após a 2ª Guerra Mundial, denominada Operação Highjump, entre 1946-47.
Não há propriamente grande registo do que se teria passado com NeuSchawbenLand, e poderia esta intervenção ser vista como uma forma dos EUA se assegurarem do que restava ali, das anteriores expedições nazis.

Bom, e o que poderia haver lá?
- Uma base de discos voadores, construídos pelos alemães.
Haunebu II - um projecto nazi de Disco Voador (ver mais)
Parecendo ficção científica, ou teoria da conspiração... ao longo das décadas seguintes foram aparecendo afirmações e documentação (não reconhecida oficialmente, como é claro), de que teriam havido planos para a sua construção. Essa informação chega ao público pelo Prof. Giuseppe Belluzo, antigo ministro de Mussolini, num artigo do jornal "il Giornale d'Italia" em 1950, onde diz que discos voadores tinham sido projecto italiano e alemão desde 1942.

Entendendo que o disco voador pode consistir essencialmente num motor orientado na vertical, em que as pás não servem para uma propulsão na horizontal, mas sim na vertical, o projecto não traz nada de assim tão extraordinário, do ponto de vista aerodinâmico... notando que agora há à venda, em qualquer hipermercado, bastantes drones que usam a mesma ideia, usando quatro motores na vertical para maior estabilidade. Aliás uma ideia análoga à que também foi usada nos helicópteros (com a diferença que a carga ficaria por baixo, e não por cima das pás). Por isso, nem será de estranhar que o projecto existisse, nem que tivesse sido depois acarinhado secretamente por americanos (ou russos), levando a estranhos avistamentos nos céus.

O seguinte documentário russo começa por levantar a questão da expedição científica de Byrd, ser acompanhada de um enorme porta-aviões, e de um número de operacionais militares, mais adequado a uma intervenção militar do que a uma mera expedição científica. Associam assim as perdas humanas, não a lamentáveis acidentes, mas a uma eventual resposta germânica, na base Neuschwabenland... onde também se conjectura que os líderes nazis se poderiam ter refugiado.

Men in Black - Documentário Russo - (The Secret UFO Operation 
UFO Base Entrance In Antarctica - Inner Earth Base)

Depois, o documentário vai especulativamente mais longe, não necessariamente na velha teoria da "Terra Oca", mas na possibilidade de se formarem portais estelares, conhecidos como "wormholes", de entrada e saída destas naves. 
A teoria da "Terra Oca" não é propriamente uma novidade, e desde ser considerada como um modelo para o "inferno" cristão, como oposição ao "céu", até ser usada mesmo como teoria por alguns pensadores do Séc. XVII como Anasthasius Kircher, tem muitas formulações... que podem ir desde pequenos abrigos subterrâneos, a autênticos mundos alternativos - mas aí sem grande suporte científico. No entanto, dado que estamos praticamente limitados a "pequenos" buracos na crosta terrestre, no máximo de uma dúzia de quilómetros, ficamos muitíssimo longe do raio terrestre com aproximadamente 6500 quilómetros.

Circula uma versão de um diário atribuído a Byrd, "The inner earth - my secret diary" que daria conta de um contacto numa viagem de avião em 1947 no Árctico (mas deveria ser Antárctico, no quadro da operação Highjump). Esse pseudo-diário é suposto dar conta de um contacto com um "mestre" de uma civilização ariana baseada no interior da Terra, O mais natural, conforme foi apontado, é que se trate de uma falsificação... dado que há frases retiradas de um filme de 1937 (Lost Horizon). Assim, se o filme diz:
«I see in the great distance a new world starting in the ruins … But in hopefulness, seeking it’s lost and legendary treasures, and they will all be here, my son, hidden behind …”»
... o diário diz quase o mesmo:
«We see a great distance a new world stirring from the ruins of your race, seeking its lost and legendary treasures, and they will be here my son, safe in our keeping…»

Continua a parecer-me mais plausível que uma sociedade secreta se esconda à nossa vista, do que haver necessidade de a procurar no interior da Terra, ou até no espaço exterior.